Por onde estive?

Na infância e na adolescência, eu sempre tive muita vontade de fazer as coisas, seja a nível de um trabalho escolar ou a nível de participar de uma brincadeira. Quando eu tinha meus 4 ou 5 aninhos de idade, quando já estava na escolinha até meus 18 anos, eu não tinha muita oportunidade de “pôr a mão na massa” e de expor as minhas vontades e fazê-las prevalecer, apesar que minhas idéias nunca eram separadas daquilo que poderia animar a todos. Na escolinha, me lembro que a gente brincava com recortes e colagens e eu me magoava com as menininhas da minha idade porque elas tomavam as coisas da minha mão e me tratavam com um certo desprezo, não queriam que eu mexesse muito, enfim, não queriam ser minhas amiguinhas. Na pré-adolescência, principalmente quando na 5a. série, 11 anos, época em que meu pai me motivou a ter como profissão arquitetura, época em que, pela primeira vez, nós, três irmãos, íamos juntos para a escola e saíamos no mesmo horário e por vez ou outra ia acompanhada de um ou de outro com seus amigos e me relacionava muito bem com as pessoas da minha classe, época em que foi a fase final da minha “realização” como criança no sentido de me expressar numa brincadeira ou numa dança, e levar motivação às pessoas, apesar que eu tinha sempre alguns percalços nas amizades do meu prédio, que de vez em quando ocorria sempre uns ciuminhos e isso me atrapalhava, tanto, que cheguei aos 12 anos e eu resolvi me afastar de todas as garotas e na escola vivi um momento paralelo a isso, onde não me encontrava com ninguém, me magoava direto com as brincadeiras de mau gosto dos outros, época em que, 1996, me separei dos meus irmãos, meu irmão havia entrado na Federal, minha irmã continuou a estudar de manhã, e eu tive que ir para a turma da tarde, época do João Borges que entraram muitos alunos mal disciplinados e zueiros de uma escola perto de casa que havia sido fechada por falta de estrutura e problemas de drogas entre alunos. Assim, meu único refúgio e momentos de felicidades eram no meu lar, mais ou menos época em que a gente não tinha nem sofá na sala, a mesa estava meio bamba e as cadeiras da mesa estavam se desfazendo (risos) e, para brincar, nós afastávamos as duas únicas cadeiras que quase restaram para sentarmos na sala, mesmo com a formação de seus ângulos de 45 graus como a gente debochava (risadas), e ficávamos brincando de jogar vôlei no tapete vinho da sala com bolinhas de papel, assistindo tv, e, por vezes, meu irmão filmava a gente tirando um barato, ou eu, como sempre gostei, ficava exercitando minha capacidade física com alongamentos e um pouco de musculação e pra resistência, de vez em quando, gostava de usar uma bolinha e raquete de tênis e contava quantas bolinhas acertava, trocando de mão e mudando a posição da raquete sem deixar a bolinha cair no chão tentando quebrar meu próprio recorde, ou por outra hora passava algumas madrugadas com minha irmã jogando buraco na cama dela, ou eu ficava escutando Van Halen com a porta fechada tentando acertar, com os dardos, o alvo, que ficava na porta do nosso quarto, que, por conta disso, a porta já estava ficando toda esburacada e a mãe reclamava mas ela sempre deixava😉. Aprendi muito nessa fase, o contato com a família me foi especial, isso tudo me estimulava. Apesar de eu ter sofrido bastante com a questão da comunicação com outros, por não saber como lidar com meus sentimentos e o preconceito das pessoas gratuitamente, minha adolescência toda me serviu como fortalecimento e crescimento pessoal e espiritual, que o resultado só se deu lentamente e a longo prazo. Mas posso dizer que 11 anos depois dos meus 12 anos, ou eu posso dizer, a segunda fase de 11 anos da minha vida, ou seja, eu agora com 23, tomei o completo reconhecimento que sou capaz de agüentar de tudo nessa vida, porque sinto que estou preparada, que posso me “bancar” mesmo sem o apoio e aprovação das pessoas, tudo porque eu encarei meus problemas, não procrastinei, enfrentei de todos os medos, não neguei o que minha alma sentia e não resolvi parar ou voltar pra trás durante todo este processo. A necessidade e vontade de alcançar objetivos, principalmente internos, me levou ao que sou agora. Acho que pra eu ter passado por cima de tanta coisa, eu fui muito curiosa, instigante demais em querer conhecer o outro lado das coisas, humilde, do qual já me deu muita ousadia e centramento, diferente do que muitos pensavam ou ainda pensam a meu respeito, até mesmo pessoas da família, para ter passado por cima, de ter acreditado que havia algo errado nas coisas e nas pessoas em si, que deveria ter alguma verdade por detrás dos fatos. Mas esta visão consciente é atual, eu não tinha consciência que, de repente, as pessoas estariam muito erradas sobre mim, e que isso me fazia sofrer, mas eu já estava com minha mente aberta para novos conhecimentos. Feliz fui eu e infeliz também. Aprendi muito com livros e minhas atitudes e não atitudes. Aprendi, inclusive, a me expressar melhor, com linguagens diferentes. Comecei a me interessar pela linguagem do coração, não da cabeça, mas isso demorou pra sobressair, é atual. Mas sobre meus talentos, não posso dizer nada, é tão primitivo, sempre foi uma coisa muito natural de mim, acho que eles foram o que me deram a força necessária pra viver e nunca desistir dos meus sentimentos, meus talentos foram minhas pérolas mais preciosas, meus diamantes, meus cristais mais puros, do qual me deixaram incapaz de desistir dos meus sentimentos, das coisas que eu acreditava. Nesse momento eu consigo ser meu próprio pai e minha própria mãe dentro de mim. Aos poucos eu estou lapidando minha pedra mais bruta, meu pequeno ser, eliminando tudo que não me presta, que não é minha realidade. Mas isso é outra parte, o efeito destes 11 anos, está se mostrando agora. Sabe, eu nunca tinha ainda parado pra pensar sobre este ciclo, desta maneira como estou descrevendo! Até quando eu escrevo, eu me conheço um pouco mais. De qualquer maneira, o efeito desse tempo está se mostrando agora, pra mim mesma e pros outros. Estou vendo que estou fazendo alguma diferença mesmo pra aqueles que me ignoram hoje e já me ignoraram ontem.  

 

Sobre Lygia L

Sou designer de sistemas, paulista, 31 anos. Gosto de trabalhar o autoconhecimento e de todo assunto que leve à isso. Este ano estou me colocando no mercado de trabalho. Estou em busca de progresso e evolução na minha carreira e na minha vida.
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